terça-feira, 13 de abril de 2010

AS ANDORINHAS


Nas linhas do telefone,
Negras e pequeninas,
De longas viagens descansam
Encantadoras andorinhas.

Enquanto descansam, escutam...
Segredos, quem sabe lá!
Mas a ninguém nada contam.
Discretas como elas não há.

De repente, no céu esvoaçam.
O que faz assim esvoaçar?
Acabou a conversa nos fios...
E elas vão comentar?

Talvez não, que anoitece.
Não podem o tempo desperdiçar.
Há ninhos pra fazer,
Ninhos pra retocar
E filhos pra criar.
Não tarda que chegue o dia
De terem que abalar.



05/2005

O NINHO


No beiral da minha casa
Há um ninho de pardal,
Metido num buraquinho,
Muito bem escondidinho
Pra que ninguém lhe faça mal.

Mas um gato sorrateiro
Passa a vida a espreitar
Os inocentes passarinhos,
Que já estão crescidinhos,
Quase prontos a voar.

Dando conta da desgraça
Prestes, prestes a acontecer,
Aflitos, os pais esvoaçam,
Não podem os filhos morrer.

Então, o gato traiçoeiro
Põe-se de imediato a fugir.
Mais vale ser cobarde matreiro,
Que nos bicos dos pássaros cair.


05/2005