quarta-feira, 12 de maio de 2010

Reparos

Quando passo
Na estrada
Que me inspirou
O poema
Da prostituta malfadada,
Olho p’ra berma
E sempre reparo
Se, na mesma pedra,
Ela está sentada.

E ela, ou uma outra qualquer,
Lá continua, de pé ou pousada,
Olhando desconfiada
O movimento da estrada.

Não digo nada.
E tento adivinhar
Calada e pensativa,
Qual a razão de
Tão estranha forma de vida.

A Prostituta

É manhã, bem cedo!
E já a mulher
Que vende o corpo,
A prostituta sem nome
Busca clientes,
Passeando nervosa
Na berma da estrada.

É cedo!
E já a mulher
De má vida apregoa,
Sem sabedoria nem beleza,
Em gestos e olhares
Mal disfarçados,
Os seus pobres dotes
Já velhos e cansados.

Um refúgio
Escondido na mata
Será a sua cubata.
Ou talvez um canto
De uma cabana abandonada.
Ou, então, o assento
De trás de um carro
De um triste qualquer,
Que procura consolo,
Inda que no corpo miserável
De uma pobre mulher.

E em qualquer
Buraco escondido,
Fora ou dentro da mata,
A mulher de má vida
Venderá o seu corpo
Por um pouco de prata.

Setembro 2005