Nas palmas das minhas mãos
Eu procuro a minha sina.
Suas linhas são uma ilusão,
E apenas nelas leio
O que fui em menina.
Não fico convencida
E continuo a procurar.
Ao sol, à chuva, ao vento,
A todo e qualquer elemento
Que do assunto sabe tratar.
Videntes e charlatães,
Mágicos e futuristas,
Com todos fui falar.
Mas ninguém acertou
E continuei sem saber,
Como do destino tratar.
O futuro é coisa incerta
E difícil de adivinhar.
Mais vale a vida viver
Sem o destino questionar.
O sonho faz parte da vida,
É bom o melhor desejar.
Mas a ambição desmedida
Também nos leva a errar.
03/2005
sexta-feira, 26 de março de 2010
quarta-feira, 24 de março de 2010
Oração
Senhor da luz e das sombras,
Senhor do tempo sem fim,
Escuta minha oração,
Tem piedade de mim.
É noite!
E a noite faz maiores
Os nossos medos,
As nossas desilusões,
E torna mais fortes
Os nossos segredos
E temíveis as superstições.
Perdoa senhor
Pelo que devo dizer
E não digo,
Pelo que devo fazer
E não faço,
Pelo que devo calar
E não calo.
E pelo que devo esquecer
E não esqueço.
Não leves a sério os meus erros,
Eu sou uma simples mortal.
Ignora os meus desmazelos,
Que se eu erro muitas vezes,
Outras tantas não são por mal.
04/ 2006
Senhor do tempo sem fim,
Escuta minha oração,
Tem piedade de mim.
É noite!
E a noite faz maiores
Os nossos medos,
As nossas desilusões,
E torna mais fortes
Os nossos segredos
E temíveis as superstições.
Perdoa senhor
Pelo que devo dizer
E não digo,
Pelo que devo fazer
E não faço,
Pelo que devo calar
E não calo.
E pelo que devo esquecer
E não esqueço.
Não leves a sério os meus erros,
Eu sou uma simples mortal.
Ignora os meus desmazelos,
Que se eu erro muitas vezes,
Outras tantas não são por mal.
04/ 2006
terça-feira, 23 de março de 2010
O Zumbido
Tenho um bichinho
No meu ouvido...
Que não pára,
Não descansa.
Tenho um bichinho
No meu ouvido...
Não faz férias,
Não tem parança.
Zune, zune
O meu bichinho...
Nunca muda de lugar.
Nem de noite,
Nem de dia,
Que nada o pode calar.
Eu já perco a paciência
Com o seu contínuo zoar.
Não adianta, é meu castigo
Seu zumbido suportar.
2008-09-18
No meu ouvido...
Que não pára,
Não descansa.
Tenho um bichinho
No meu ouvido...
Não faz férias,
Não tem parança.
Zune, zune
O meu bichinho...
Nunca muda de lugar.
Nem de noite,
Nem de dia,
Que nada o pode calar.
Eu já perco a paciência
Com o seu contínuo zoar.
Não adianta, é meu castigo
Seu zumbido suportar.
2008-09-18
O Troco
Muito devagarinho,
Descendo a calçada,
A pobre mulher vinha,
Pensativa e amargurada.
Levantou a cabeça,
Olhou o casario.
Aconchegou o casaco,
Achava-se com frio.
E a outra que a viu,
A porta da casa abriu
E a inquiriu:
-É comigo que quer falar?
-É isso mesmo,
Só não sabia qual a casa,
Estava a pensar.
E sempre devagar,
Não fosse ela cair
Ou escorregar,
À porta se chegou.
E antes do recado
A que viera,
Muito baixinho segredou:
- Sabe, sabe,não diga nada.
Se o meu marido sabe,
Estou metida numa alhada!
-Não tem problema,
Esteja descansada.
Sou boa ouvinte,
Jamais direi nada.
E desabafou!
Contou, sempre em sussurro,
Cenas de uma vida atribulada.
Casara tarde,
Porém, o casamento
Jamais a encantara.
-Se fosse hoje...
Achava-se doente,
E se se queixava,
O marido ignorava
E, ironicamente, respondia:
-Tu, tu não tens nada!
Mas ele, estando mais mal,
Ia ao doutor,
Bastava um pequeno sinal.
E muito mais disse,
Sempre com medo
Que o marido desconfiado
A visse a conversar.
Num repente,
Achou-se com pressa.
E foi-se embora,
Não, sem antes
Voltar a recomendar:
-Não diga nada.
Se ele me perguntar
O que estava a fazer,
Eu digo:
-Foi o troco,
As contas do troco
Que lhe fiquei a dever. 05/2007
Descendo a calçada,
A pobre mulher vinha,
Pensativa e amargurada.
Levantou a cabeça,
Olhou o casario.
Aconchegou o casaco,
Achava-se com frio.
E a outra que a viu,
A porta da casa abriu
E a inquiriu:
-É comigo que quer falar?
-É isso mesmo,
Só não sabia qual a casa,
Estava a pensar.
E sempre devagar,
Não fosse ela cair
Ou escorregar,
À porta se chegou.
E antes do recado
A que viera,
Muito baixinho segredou:
- Sabe, sabe,não diga nada.
Se o meu marido sabe,
Estou metida numa alhada!
-Não tem problema,
Esteja descansada.
Sou boa ouvinte,
Jamais direi nada.
E desabafou!
Contou, sempre em sussurro,
Cenas de uma vida atribulada.
Casara tarde,
Porém, o casamento
Jamais a encantara.
-Se fosse hoje...
Achava-se doente,
E se se queixava,
O marido ignorava
E, ironicamente, respondia:
-Tu, tu não tens nada!
Mas ele, estando mais mal,
Ia ao doutor,
Bastava um pequeno sinal.
E muito mais disse,
Sempre com medo
Que o marido desconfiado
A visse a conversar.
Num repente,
Achou-se com pressa.
E foi-se embora,
Não, sem antes
Voltar a recomendar:
-Não diga nada.
Se ele me perguntar
O que estava a fazer,
Eu digo:
-Foi o troco,
As contas do troco
Que lhe fiquei a dever. 05/2007
Frustração
Abro a boca,
Tenho sono.
Fecho os olhos,
Estou cansada.
Tanto sono
E dormi,
Tanto cansaço
E não fiz nada.
À minha frente
A televisão fala.
Mal a vejo,
Mal a sinto.
Quero dormir
E esquecer
Coisa triste
Que pressinto.
Que pressinto
E não me agrada.
Abro a boca,
Tenho sono!
Fecho os olhos,
Estou cansada!
02/2005
Tenho sono.
Fecho os olhos,
Estou cansada.
Tanto sono
E dormi,
Tanto cansaço
E não fiz nada.
À minha frente
A televisão fala.
Mal a vejo,
Mal a sinto.
Quero dormir
E esquecer
Coisa triste
Que pressinto.
Que pressinto
E não me agrada.
Abro a boca,
Tenho sono!
Fecho os olhos,
Estou cansada!
02/2005
Roupa Danada
Há roupa por todo o lado:
Nas cordas a secar,
No balde p’ra lavar,
No cesto p’ra passar,
Na máquina p’ra estender,
Pois não pára de chover.
E a mulher,
Com gestos de raiva
Mal contida,
Sempre a girar,
Sempre a girar,
Escada abaixo,
Escada acima.
Odeia confusão.
Mexe-lhe com a emoção.
É que jamais
Aprendeu a lição do
“Deixa andar,
Senta-te num canto,
Até a raiva passar”.
Mas o sol
Há-de ter pena
Da pobre coitada.
E voltará brilhar.
E, num repente,
Toda a roupa
Estará no seu lugar.
Ping… ping...
Canta a chuva
Miudinha.
Toc, toc...
Escada abaixo,
Escada acima,
A mulher galga
Em passos de menina.
Nas cordas a secar,
No balde p’ra lavar,
No cesto p’ra passar,
Na máquina p’ra estender,
Pois não pára de chover.
E a mulher,
Com gestos de raiva
Mal contida,
Sempre a girar,
Sempre a girar,
Escada abaixo,
Escada acima.
Odeia confusão.
Mexe-lhe com a emoção.
É que jamais
Aprendeu a lição do
“Deixa andar,
Senta-te num canto,
Até a raiva passar”.
Mas o sol
Há-de ter pena
Da pobre coitada.
E voltará brilhar.
E, num repente,
Toda a roupa
Estará no seu lugar.
Ping… ping...
Canta a chuva
Miudinha.
Toc, toc...
Escada abaixo,
Escada acima,
A mulher galga
Em passos de menina.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Caixas....
Já há algum tempo que aprendi a técnica do guardanapo, pela qual me apaixonei. Comecei então a aplica-la em pequenas caixas de madeira. Adoro o trabalho de construir o desenho com o guardanapo;um dia olhei à minha volta e estava eu rodeada de caixas de todas as formas, tintas,pincéis e guardanapos. Apesar da muita paciência que me é exigida, a minha persistência é ainda maior. Por isso, resolvi nesse ano(2009) oferecer a minha arte, partilhando-a assim com os que me rodeiam. Os pedidos foram muitos e as caixas foram aumentando.
Assim, vou-vos mostrar algumas dessas caixas que fui fazendo ao longo do tempo, das quais me resta a fotografia como lembrança de um pouco de dei de mim a quem gosto.
Espero que gostem.
domingo, 21 de março de 2010
Os Meus Bichos

Os meus bichos fazem-me feliz.
Oh, se fazem!
Eles são o meu cão
Que, se falasse,
Não diria apenas ão, ão;
O meu gato brincalhão,
Que come, vai prá rua,
E volta para dormir…e sonhar!
Eles não resmungam,
Por tudo e por nada.
Não acusam,
Não falam aos berros,
Não dizem palavrões,
Não fazem caras feias,
Nem gestos cheios de
Percebidas intenções.
Apenas me fixam,
Sempre com o mesmo olhar.
E eu tento adivinhar
O que estarão eles a implorar.
Quem me Dera...
Quem me dera...
Ser Sol, ser Lua,
Ser um ponto luminoso
De um qualquer lugar.
Quem me dera...
Ser água, ser fonte,
Ser rio, ser mar,
Ser uma gota de água
Sempre a borbulhar.
Quem me dera...
Ser erva, ser flor,
Ou um bicho do mato,
E nada me preocupar
Com o logo, o amanhã,
O partir e o chegar.
Quem me dera,
Já que sou gente,
Grande e consciente,
Acordada ou dormente,
Os meus sonhos realizar.
Quem me dera...
Quem dera
A tantos como eu
Ser o que eu sou,
Ter o que eu tenho,
Que, pensando bem,
A felicidade ninguém a tem,
Não me devo queixar.
02/2007
Ser Sol, ser Lua,
Ser um ponto luminoso
De um qualquer lugar.
Quem me dera...
Ser água, ser fonte,
Ser rio, ser mar,
Ser uma gota de água
Sempre a borbulhar.
Quem me dera...
Ser erva, ser flor,
Ou um bicho do mato,
E nada me preocupar
Com o logo, o amanhã,
O partir e o chegar.
Quem me dera,
Já que sou gente,
Grande e consciente,
Acordada ou dormente,
Os meus sonhos realizar.
Quem me dera...
Quem dera
A tantos como eu
Ser o que eu sou,
Ter o que eu tenho,
Que, pensando bem,
A felicidade ninguém a tem,
Não me devo queixar.
02/2007
Que Vida!
Que vida danada,
Stressada, atormentada,
Sempre a correr,
Sempre a girar.
É o pão pra comer,
A roupa pra lavar,
A comida pra fazer,
A casa pra arrumar.
E o dinheiro pra ganhar!
E eu cismo, revoltada,
Com tanta trapalhada.
As pernas não descansam,
O pensamento também não:
É a casa,
São os filhos,
É o homem,
É o cão.
Que tamanha agitação!
29/03/07
Stressada, atormentada,
Sempre a correr,
Sempre a girar.
É o pão pra comer,
A roupa pra lavar,
A comida pra fazer,
A casa pra arrumar.
E o dinheiro pra ganhar!
E eu cismo, revoltada,
Com tanta trapalhada.
As pernas não descansam,
O pensamento também não:
É a casa,
São os filhos,
É o homem,
É o cão.
Que tamanha agitação!
29/03/07
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