quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Saudade

Saudade é sentir falta,
Ansiedade ou nostalgia.
É lembrar com emoção
Coisas, atos ou pessoas
Umas que foram mas voltam,
Outras que não mais regressarão.

Saudade é sentir...
Uma brisa suave na pele,
Um aperto gostoso no peito.
Se uma recordação grata
Nos aparece a jeito.

Saudade é também
Desejar ter bem presente
Algo que muito amámos,
Alguém que está ausente.

Saudade não é palavra triste
Como muitos costumam dizer.
Faz sempre bem lembrarmos
Coisas boas pelas quais passámos,
Pois recordar também é viver.

05/2oo6 (Ass.)

sábado, 3 de julho de 2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Reparos

Quando passo
Na estrada
Que me inspirou
O poema
Da prostituta malfadada,
Olho p’ra berma
E sempre reparo
Se, na mesma pedra,
Ela está sentada.

E ela, ou uma outra qualquer,
Lá continua, de pé ou pousada,
Olhando desconfiada
O movimento da estrada.

Não digo nada.
E tento adivinhar
Calada e pensativa,
Qual a razão de
Tão estranha forma de vida.

A Prostituta

É manhã, bem cedo!
E já a mulher
Que vende o corpo,
A prostituta sem nome
Busca clientes,
Passeando nervosa
Na berma da estrada.

É cedo!
E já a mulher
De má vida apregoa,
Sem sabedoria nem beleza,
Em gestos e olhares
Mal disfarçados,
Os seus pobres dotes
Já velhos e cansados.

Um refúgio
Escondido na mata
Será a sua cubata.
Ou talvez um canto
De uma cabana abandonada.
Ou, então, o assento
De trás de um carro
De um triste qualquer,
Que procura consolo,
Inda que no corpo miserável
De uma pobre mulher.

E em qualquer
Buraco escondido,
Fora ou dentro da mata,
A mulher de má vida
Venderá o seu corpo
Por um pouco de prata.

Setembro 2005

terça-feira, 13 de abril de 2010

AS ANDORINHAS


Nas linhas do telefone,
Negras e pequeninas,
De longas viagens descansam
Encantadoras andorinhas.

Enquanto descansam, escutam...
Segredos, quem sabe lá!
Mas a ninguém nada contam.
Discretas como elas não há.

De repente, no céu esvoaçam.
O que faz assim esvoaçar?
Acabou a conversa nos fios...
E elas vão comentar?

Talvez não, que anoitece.
Não podem o tempo desperdiçar.
Há ninhos pra fazer,
Ninhos pra retocar
E filhos pra criar.
Não tarda que chegue o dia
De terem que abalar.



05/2005

O NINHO


No beiral da minha casa
Há um ninho de pardal,
Metido num buraquinho,
Muito bem escondidinho
Pra que ninguém lhe faça mal.

Mas um gato sorrateiro
Passa a vida a espreitar
Os inocentes passarinhos,
Que já estão crescidinhos,
Quase prontos a voar.

Dando conta da desgraça
Prestes, prestes a acontecer,
Aflitos, os pais esvoaçam,
Não podem os filhos morrer.

Então, o gato traiçoeiro
Põe-se de imediato a fugir.
Mais vale ser cobarde matreiro,
Que nos bicos dos pássaros cair.


05/2005

sexta-feira, 26 de março de 2010

O meu Destino

Nas palmas das minhas mãos
Eu procuro a minha sina.
Suas linhas são uma ilusão,
E apenas nelas leio
O que fui em menina.

Não fico convencida
E continuo a procurar.
Ao sol, à chuva, ao vento,
A todo e qualquer elemento
Que do assunto sabe tratar.

Videntes e charlatães,
Mágicos e futuristas,
Com todos fui falar.
Mas ninguém acertou
E continuei sem saber,
Como do destino tratar.

O futuro é coisa incerta
E difícil de adivinhar.
Mais vale a vida viver
Sem o destino questionar.

O sonho faz parte da vida,
É bom o melhor desejar.
Mas a ambição desmedida
Também nos leva a errar.

03/2005

quarta-feira, 24 de março de 2010

Oração

Senhor da luz e das sombras,
Senhor do tempo sem fim,
Escuta minha oração,
Tem piedade de mim.

É noite!
E a noite faz maiores
Os nossos medos,
As nossas desilusões,
E torna mais fortes
Os nossos segredos
E temíveis as superstições.

Perdoa senhor
Pelo que devo dizer
E não digo,
Pelo que devo fazer
E não faço,
Pelo que devo calar
E não calo.
E pelo que devo esquecer
E não esqueço.

Não leves a sério os meus erros,
Eu sou uma simples mortal.
Ignora os meus desmazelos,
Que se eu erro muitas vezes,
Outras tantas não são por mal.

04/ 2006

Mais caixas...


Mar Moderno

Mar Revolto

Jarros

terça-feira, 23 de março de 2010

Pantera e Teco




São algumas das minhas alegrias.

O Zumbido

Tenho um bichinho
No meu ouvido...
Que não pára,
Não descansa.
Tenho um bichinho
No meu ouvido...
Não faz férias,
Não tem parança.

Zune, zune
O meu bichinho...
Nunca muda de lugar.
Nem de noite,
Nem de dia,
Que nada o pode calar.

Eu já perco a paciência
Com o seu contínuo zoar.
Não adianta, é meu castigo
Seu zumbido suportar.

2008-09-18

A Casinha

Paz

Cotovelo

O Troco

Muito devagarinho,
Descendo a calçada,
A pobre mulher vinha,
Pensativa e amargurada.

Levantou a cabeça,
Olhou o casario.
Aconchegou o casaco,
Achava-se com frio.

E a outra que a viu,
A porta da casa abriu
E a inquiriu:
-É comigo que quer falar?
-É isso mesmo,
Só não sabia qual a casa,
Estava a pensar.

E sempre devagar,
Não fosse ela cair
Ou escorregar,
À porta se chegou.

E antes do recado
A que viera,
Muito baixinho segredou:
- Sabe, sabe,não diga nada.
Se o meu marido sabe,
Estou metida numa alhada!

-Não tem problema,
Esteja descansada.
Sou boa ouvinte,
Jamais direi nada.



E desabafou!
Contou, sempre em sussurro,
Cenas de uma vida atribulada.
Casara tarde,
Porém, o casamento
Jamais a encantara.
-Se fosse hoje...

Achava-se doente,
E se se queixava,
O marido ignorava
E, ironicamente, respondia:
-Tu, tu não tens nada!

Mas ele, estando mais mal,
Ia ao doutor,
Bastava um pequeno sinal.

E muito mais disse,
Sempre com medo
Que o marido desconfiado
A visse a conversar.

Num repente,
Achou-se com pressa.

E foi-se embora,
Não, sem antes
Voltar a recomendar:
-Não diga nada.
Se ele me perguntar
O que estava a fazer,
Eu digo:
-Foi o troco,
As contas do troco
Que lhe fiquei a dever. 05/2007

Frustração

Abro a boca,
Tenho sono.
Fecho os olhos,
Estou cansada.
Tanto sono
E dormi,
Tanto cansaço
E não fiz nada.

À minha frente
A televisão fala.
Mal a vejo,
Mal a sinto.
Quero dormir
E esquecer
Coisa triste
Que pressinto.

Que pressinto
E não me agrada.
Abro a boca,
Tenho sono!
Fecho os olhos,
Estou cansada!

02/2005

Roupa Danada

Há roupa por todo o lado:
Nas cordas a secar,
No balde p’ra lavar,
No cesto p’ra passar,
Na máquina p’ra estender,
Pois não pára de chover.

E a mulher,
Com gestos de raiva
Mal contida,
Sempre a girar,
Sempre a girar,
Escada abaixo,
Escada acima.

Odeia confusão.
Mexe-lhe com a emoção.

É que jamais
Aprendeu a lição do
“Deixa andar,
Senta-te num canto,
Até a raiva passar”.

Mas o sol
Há-de ter pena
Da pobre coitada.
E voltará brilhar.
E, num repente,
Toda a roupa
Estará no seu lugar.

Ping… ping...
Canta a chuva
Miudinha.
Toc, toc...
Escada abaixo,
Escada acima,
A mulher galga
Em passos de menina.

Mar Sereno